A tecnologia e a Pena
Não é necessário gastar muita tinta (literalmente) para dizer que a tecnologia sequestrou o cérebro das pessoas. Cada vez mais estamos integrados e dependemos de sistemas de informação, diariamente. A inteligência artificial, pelo que se constata, veio para ficar. Os livros são digitais e os físicos quase não mais são publicados, à falta de leitores. Grandes livrarias e editoras estão em crise. Pouco se escreve e quando tal ocorre, invariavelmente as frases são abreviadas. Afinal, não se pode perder tempo.
Este pequeno singelo texto foi rascunhado com uma velha Parker 51, do ano de 1948 e em pleno uso.
Tornando habitual o uso da pena, fácil perceber que se transforma em companheira, imprescindível até mesmo ao se deslocar para um simples café. Dela nunca se esquece. Afinal, pode ser requisitada para alguma anotação.
Tal hábito, não obstante o cotidiano uso do celular, pode ser transmitido aos jovens, com certeza. Despertar neles a beleza, o encanto e a delicadeza que é escrever com pena, sem dúvida, não tem preço. Ora, se no mundo tão conturbado e confuso em que vivemos é ainda possível encontrar pessoas que apreciam a palavra escrita, a elas também podemos transmitir a paixão pela pena.
Certamente chegará o dia em que as pessoas reavaliarão seus hábitos, inclusive de comunicação escrita.
Creio que chegará o momento em que teremos a necessidade de resgatar certos prazeres, como o hábito do uso da pena.
Carlos Claro
7/3/2020