História da caneta tinteiro
História da caneta tinteiro
De início, advirto o leitor de que o texto a seguir não é científico, ou seja, inexistiu pesquisa objetivando determinado resultado concreto; não levei a efeito qualquer investigação almejando determinado saber. Portanto, não se trata de conhecimento provado (conforme Alan F. Chalmers), mas mera opinião mundana, ideias de quem é apaixonado pela escrita em geral e pela pena em particular. São apenas divagações, nada mais que isso, em resumo.
Conta-se por aí, nos livrinhos de história, que foi na Idade da pedra (uns 30.000 antes de Cristo) que os seres humanos deram início à comunicação escrita, desenhando nas pedras de suas cavernas. Pulando no tempo, os egípcios tiveram a feliz ideia de inventar o primeiro tipo de papel, assim denominado papiro, deveras frágil, criando, também uma tinta a base de plantas e nesse papiro escreviam com pedaços de ossos, mergulhando-os nesta. Depois inventaram o pergaminho, que se traduziu em grande avanço “tecnológico”, substituindo (aqui interessa a quem aprecia a pena) os ossos por penas de ganso. Dando mais um salto na história da civilização, no século XVII foram inventadas as penas metálicas, substituindo tais penas de ganso. E assim foi. As penas eram mergulhadas em tinta até que em 12 de fevereiro de 1884 (há mais de 135 anos) Lewis Waterman (sim, o da famosa marca), tendo em vista determinada situação concreta, patenteou a primeira caneta tinteiro. O resto, todos sabemos. Marcas afamadas surgiram (como Parker, Sheaffer, Montblanc e várias outras) e houve transformações nesse exitoso e milionário mercado. Sabemos que uma caneta edição limitada da Waterman, da Montegrappa ou da Montblanc tem custo elevadíssimo, fora do alcance da maioria das pessoas, que nem sequer sabem que existe, ainda hoje, a tinteiro.
Mas, o que de fato ainda leva várias pessoas a adquirir canetas tinteiros e fazer uso no dia a dia? De fato, não sei se Freud explica. Mas, particularmente tenho lá meus vários motivos. Hoje as pessoas têm pressa, pois tudo é para ontem. Não há tempo a perder, pois, tempo é dinheiro. Vivemos uma corrida contra o relógio. Todos nós temos nossos afazeres diários e responsabilidades. Então, perder tempo em encher de tinta uma pena é impensável, pois, demora e não há paciência para isso. Carregar o instrumento no bolso é algo inimaginável. Melhor ter o celular na mão, na medida em que ele resolve 99% de nossas necessidades. O tempo, da maioria, é o agora, já.
Entretanto, quem empunha uma pena, seja ela simples, de valor reduzido, ou mesmo uma Gaius Maecenas 888 da Montblanc, sabe qual a diferença, e sabe muito bem. Todo o ritual de mergulhar a pena na tinta - sentir o pistão trabalhando -, até que esteja suficientemente abastecida, depois limpá-la cuidadosamente e fazer uso é algo de fato indescritível. E há mais: quem escreve com pena ama a palavra escrita, não há dúvida. Não é preciso comparar o desenho que a pena faz com o de uma caneta “comum”. Sem dúvida, a escrita daquela é muito mais bela, de fato imponente e apresenta estilo próprio. É uma escrita que se destaca, se coloca em degrau superior e demonstra estilo de quem usa a pena. Além de tudo, uma caneta tinteiro tem durabilidade de décadas, muitas décadas. É passada de geração a geração, como no meu caso.