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Como funcionam e quem inventou as canetas esferográficas

18 de outubro de 2019 Fonte: Adriana Fagotte

Como funcionam e quem inventou as canetas esferográficas

Como funcionam e quem inventou as canetas esferográficas

 

Elas são incrivelmente comuns e, justamente por conta disso, não paramos para pensar muito a respeito. Porem, elas podem ser fascinantes.

- Como a tinta não escorre lá de dentro?

Se olharmos atentamente para uma caneta esferográfica, vamos notar que ela possui uma bolinha esférica giratória na ponta da sua carga, geralmente feita de aço, tungstênio ou latão.

A esfera é a responsável por aplicar a tinta sobre o papel conforme vamos escrevendo, é ela também que evita que ocorram vazamentos enquanto a caneta está em uso, usando a força da gravidade, a tinta desse pelo reservatório e cobre a esfera, que por sua vez, conforme gira no interior da cavidade, vai transferindo a tinta sobre a superfície.

Mesma técnica empregada hoje nos desodorantes do roll-on, só que, em vez de ser espalhado sobre a pele, é a tinta que é aplicada sobre o papel.

Para que se pudesse escrever, vários utensílios foram usados ao longo da História, desde pedaços de junco ou cana talhados para serem utilizados sobre pergaminhos, papiros ou tábuas de argila, das plumas, dos bicos de pena de metal e das canetas tinteiro. No entanto, foi às canetas esferográficas que trouxeram inúmeras inovações importantes, como permitir que a tinta fluísse de maneira uniforme sobre o papel e não borrasse tanto.

Embora pareça que a caneta esferográfica existe há séculos, sua criação é bastante recente, mais precisamente, da década de 30.

A primeira patente, do conceito da  caneta esferográfica foi registada por John J. Loud em 30 de Outubro de 1888. Tratava-se de um produto destinado a marcar couros e não foi explorado comercialmente.

O jornalista húngaro, posteriormente naturalizado argentino László Bíró foi o responsável pela invenção, após observar como os jornais recém-impressos secavam quase imediatamente e não borravam, começou a pensar em uma tinta para caneta que secasse mais rapidamente do que as opções disponíveis da época.

Para o desenvolvimento da tinta na consistência certa, nem líquida ou espessa demais, Bíró contou com a ajuda do seu irmão, Georg, que era químico. A patente da caneta esferográfica foi registrada pela dupla  em seu país natal, a Hungria e posterior na França e na Suíça em 1938.  

Para fugir às perseguições nazistas no seu país, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, László e Georg tiveram que deixar a Hungria e receberam a patente em Paris.

Em 1938, László encontra-se na Iugoslávia com o argentino Agustín Pedro Justo, Presidente da Argentina, que ficou impressionado com a invenção, e convidou os irmãos a radicar-se na Argentina. Laszló foi apresentado a Meyne, que convidou os irmãos a fundarem a companhia "Biró y Meyne" em 10 de junho de 1940, requerendo uma patente argentina em 10 de junho de 1943.

O governo britânico adquiriu os direitos de licenciamento desta patente dentro do chamado "esforço de guerra" durante a Segunda Guerra Mundial. A Royal Air Force necessitava de uma caneta para substituir as canetas tinteiro que vazavam horrores quando submetidas a variação de pressão com grandes altitudes, nos aviões de caça. O bom desempenho das novas canetas para a RAF trouxe sucesso ao inventor e ao seu produto.

Após o término do conflito, em 1944 László Biró vendeu a patente do seu invento ao norte-americano Eversharp-Faber pela quantia de dois milhões de dólares, e, na Europa, ao francês Marcel Bich.

Nos Estados Unidos, a primeira caneta esferográfica a ser produzida comercialmente, que substituiria a caneta-tinteiro com sucesso, foi apresentada por Milton Reynolds, em 1945. Baseava-se no mesmo processo de Bíró, porem a esfera liberava uma tinta pesada e gelatinosa sobre o papel e foram divulgadas à época como "a primeira caneta que escreve debaixo de água", tendo sido vendidas dez mil unidades quando de seu lançamento. A marca era impressionante, uma vez que cada unidade custava cerca de 10 dólares, preço devido principalmente à nova tecnologia.

Na Europa, as primeiras canetas esferográficas acessíveis foram produzidas em 1945, por Marcel Bich, cujo mérito foi o do desenvolvimento de um processo industrial de fabricação que reduzia significativamente o custo das canetas por unidade. Em 1949, foram lançadas comercialmente sob o nome "Bic", uma abreviação do seu sobrenome, e que era fácil de lembrar pelo público. Dez anos mais tarde, as primeiras canetas "Bic" eram lançadas no mercado norte-americano.

Por Adriana Fagotte

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