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Por que pena?

11 de julho de 2019 Fonte: Carlos Roberto Claro - 11/07/2019

Por que pena?

Meu gosto pela pena teve início há 46 anos, exatamente no dia em que fui presenteado com uma Parker 51, que ainda me pertence e funciona a todo fôlego. De lá pra cá, tive o privilégio de escrever com algumas canetas de marcas mundiais (aqui não nominarei) e também não foram poucos os que me perguntaram (e perguntam): mas, por que pena?

             É certo que, em tempos de tecnologia digital, computadores potentes e variedade de instrumentos, certamente a grande maioria das pessoas não mais sabe o que é escrever com caneta, muito menos com pena. Aliás, nem sequer carecem assinar cheque (o que é isso?) ou mesmo utilizar caneta por longo período. Aliás, escrever à mão se tornou algo bastante incomum; mercadoria fora da prateleira.

               De fato, para muitos a caneta em geral e a pena em específico certamente são algo retrô, old fashioned, que não mais estão no bolso do paletó ou nas carteiras femininas.

               Ledo engano dos mais apressados. Nunca se produziu tanta caneta quanto nos tempos atuais; as grandes companhias faturam milhões de dólares (e euros) com a venda de canetas destinadas a colecionadores e outras tantos para uso comum (peças ao alcance de muitos); as pessoas de estilo, as que conhecem o que realmente é bom e duradouro, adquirem canetas (e penas), que certamente durarão décadas, não tenho dúvida.

                Não é à toa que, chegando a uma reunião e tirando uma pena da pasta, o sujeito se depara com olhares meio que perplexos. Pena? Em que século você está? Bem, eu estou no século XXI, igual a todos, mas, o diferencial é que eu, como milhares de pessoas, sabemos o que é ter uma pena no bolso. Usar uma pena se traduz em sensação única, indescritível. É como apreciar um quadro de Picasso ou visitar o Coliseu; é como se sentar aos pés da Torre de Paris e admirá-la. Não há adjetivo, não há palavra à altura do sentimento único.

                  Passadas tantas décadas depois que fui escolhido pela pena (sim, ela me escolheu e não ao contrário) e o casamento já vai para quase meio século, ainda me perguntam: por que se utiliza de pena? A resposta, invariável, é a mesma sempre: porque por ela fui escolhido.

Carlos Roberto Claro 

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